Um teto inteiro de espelhos é o que mais complica uma captura 360°. A câmera vê tudo em volta, inclusive para cima, e o espelho devolve a imagem da própria câmera. No Atelier Sandro Barros, um casarão no Jardim Paulista, em São Paulo, o desafio vinha em dose dupla: espelhos no teto, mármore polido no chão, vitrines e mesas espelhadas, janelas grandes com a luz da rua e araras cheias de vestidos. Neste post mostramos como foi a manhã de captura e o que cada escolha resolveu. As etapas do tour virtual 360°, da visita técnica à publicação, estão na página do serviço.

Um casarão difícil de fotografar

Cada superfície do ateliê pedia um cuidado diferente:

  • Teto de espelhos em treliça. Reflete o salão inteiro, e também a câmera e o tripé logo abaixo.
  • Piso de mármore polido. Funciona como um segundo espelho, mais fraco: devolve as luzes do teto, as janelas e o que estiver no chão.
  • Vitrines e mesas espelhadas. Multiplicam os reflexos em ângulos que mudam a cada posição da câmera.
  • Janelas grandes. Do lado de fora, a rua em plena luz da manhã. Do lado de dentro, salões bem mais escuros que ela.
  • Araras, manequins e mesa posta. Muitos detalhes finos, que denunciam qualquer erro de costura entre uma foto e outra.

Por que o tripé com cabeça panorâmica

Uma panorâmica 360° não sai de uma foto só. No ateliê, cada posição teve quatro fotos, girando a câmera em volta do mesmo eixo, com uma lente olho de peixe de 8 mm numa Nikon D750. Depois, o programa de costura junta as quatro numa imagem esférica.

Para essa junção não deixar marca, a câmera precisa girar em volta de um ponto exato da lente, o chamado ponto nodal. Se ela gira fora dele, os objetos perto e longe mudam de posição entre uma foto e outra, e a emenda aparece: um cabide duplicado, a borda da mesa quebrada, a treliça do teto desalinhada. É para isso que serve a cabeça panorâmica, a peça preta da foto do alto desta página, uma Nodal Ninja 3. Ela desloca a câmera para trás até o ponto nodal ficar exatamente sobre o eixo do tripé. Com as araras e a mesa a poucos metros, esse ajuste é o que separa uma costura limpa de uma imagem com emendas.

O tripé ainda resolve outra coisa: a câmera fica parada por cerca de um minuto em cada posição, o tempo das quatro fotos e de todas as exposições de cada uma.

Câmera no tripé Benro junto à janela do Atelier Sandro Barros, com o visor mostrando a imagem circular da lente olho de peixe, ao lado de dois manequins, vitrine de vidro e araras de roupas

Três exposições dentro, cinco perto da luz de fora

A câmera não registra numa foto só a rua clara pela janela e o fundo do salão. Ou a janela estoura em branco, ou o ambiente fica escuro. Por isso cada uma das quatro fotos de cada posição foi feita mais de uma vez, com exposições diferentes, da mais escura à mais clara. Depois, as exposições são juntadas numa imagem só, que guarda o detalhe da janela e o do interior ao mesmo tempo.

Nos salões, três exposições bastaram. Na sacada, na entrada, na fachada e na área externa, onde a diferença entre luz e sombra é maior, fizemos cinco. Foram 36 posições com três exposições e 7 com cinco: 572 fotos no total, entre 8h55 e 10h58.

A foto acima é dessa manhã. O visor mostra a imagem circular do olho de peixe, e a janela com grade fica logo atrás da câmera.

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Os espelhos e o tripé que não aparecem

Num ambiente com teto espelhado, não existe posição em que a câmera fique fora do reflexo. Ela aparece no teto, nas vitrines e, mais fraca, no mármore. Isso se resolve na pós-produção. Cada panorâmica do ateliê foi aberta no Photoshop com a versão costurada e, embaixo dela, as quatro fotos originais em camadas separadas. Assim, quando uma emenda ou um reflexo precisa de correção, o retoque parte das fotos daquela mesma posição.

O tripé e a cabeça panorâmica, embaixo da câmera, também saem nessa etapa. No tour final, o teto do salão mostra a treliça, a mesa posta e as araras refletidas, sem câmera e sem tripé.

Dois andares, 43 posições, 31 cenas

O casarão tem dois andares. No térreo ficam os showrooms, a recepção e o ateliê de costura. No piso superior, o provador, os ambientes de provas e o Sandro Barros Home. Somando a entrada, a sacada, a fachada e a área externa, capturamos 43 posições.

Nem toda posição vira cena: algumas ficam de fora na seleção final. Ficaram 36 panorâmicas finais, com cerca de 9.000 por 4.500 pixels cada, e 31 delas formam o tour. A navegação parte da recepção e passa pelos showrooms, pelo provador, pelas salas de prova e pelo Sandro Barros Home, até a entrada e a fachada. O projeto completo está no case do Atelier Sandro Barros.

Fotografia de arquitetura no mesmo casarão

Além do tour, o ateliê recebeu fotografia arquitetônica. Aqui os mesmos materiais pedem outro cuidado: a foto é uma só, enquadrada, e o reflexo do mármore e dos espelhos passa a ser parte da composição.

Porta dupla preta aberta na entrada do Atelier Sandro Barros, entre colunas brancas e vasos pretos sobre pedestais de vidro, com lustre de cristal e mesa de acrílico ao fundo

Na sala de estar, o piso polido devolve a grade da janela e a parede espelhada dobra a profundidade do ambiente. A câmera baixa deixa o reflexo ocupar a parte de baixo da foto.

Sala do Atelier Sandro Barros com sofá de veludo preto, poltronas capitonê, quadros coloridos em parede listrada, parede espelhada e piso de mármore polido refletindo a grade da janela

Perto das janelas, o desafio é o mesmo do tour: a rua clara e o interior mais escuro na mesma imagem. A escolha do horário ajuda tanto quanto a técnica, assunto do post sobre fotografia arquitetônica e a hora do dia.

Sala com armários de portas estofadas, janela grande com grade e árvores do lado de fora, cortinas escuras, poltronas e piso de mármore polido refletindo a luz

O que o cliente prepara antes

Num espaço como o ateliê, a preparação pesa tanto quanto o equipamento:

  • Lista de ambientes e ordem da visita. Define as posições e o caminho do tour, andar por andar.
  • Araras e manequins na arrumação final. O que estiver na arara no dia fica no tour enquanto ele estiver no ar.
  • Mesas e vitrines limpas. Em superfície espelhada, marca de dedo e poeira aparecem.
  • Luzes acesas e testadas. Lâmpada queimada no teto espelhado aparece duas vezes.
  • Cortinas na posição combinada. Elas controlam quanta luz da rua entra e o que aparece pela janela.
  • Ambiente livre durante os disparos. A equipe pode seguir trabalhando em outro andar enquanto a câmera passa.

O checklist completo, para imprimir e passar à equipe, está em o que preparar no espaço antes da captura 360°.